O casamento é um dos momentos mais sonhados por muita gente. Mas, quando o assunto é esse, uma pergunta ainda divide opiniões: existe a hora certa para dizer “sim”? Francisco Ferreira, de 48 anos, e Cleonice Lima, de 49, mostram que o amor não segue prazos.
Internado na ala de cuidados paliativos do Hospital Léo Orsi Bernardes (HLOB), em Itapetininga (SP), ele oficializou a união com a companheira na segunda-feira (6), após 16 anos de relacionamento, provando que nunca é tarde para celebrar o amor.
Ao g1, a noiva conta que o casal se conheceu em Itapetininga, durante uma festa: “Nós nos conhecemos durante um baile em Itapetininga e eu acabei convidando ele para dançar. Ele ficou ‘que nem bobo’. Foi uma história muito bonita que perdura até hoje”.
Segundo Cleonice, a ideia de oficializar a união partiu de Francisco. Diagnosticado com câncer no estômago em 2013, ele passou a enfrentar a doença de forma mais agressiva nos últimos dois anos.

A companheira, que segue ao lado dele durante a internação, conta que não imaginava viver esse momento dessa forma e que a cerimônia foi uma experiência única. Vestida de noiva, ela celebrou o matrimônio com o parceiro de longa data na capela do hospital.
“Foi algo completamente único e que me deixou muito emocionada. Ele é a pessoa que eu sempre quis e fiz de tudo para ter por perto. Só Deus sabe o quanto eu amo esse homem”, diz.
A cerimônia teve não apenas a presença de diversos funcionários do hospital, mas também o apoio deles com a organização. A equipe conseguiu maquiador, padre, aliança, bolo e doces para a celebração ficar completa. Após a cerimônia religiosa, o casal assinou ali mesmo os documentos que oficializaram o casamento.
“Eu sequer imaginava que teria uma aliança. O casamento sempre foi um assunto muito comentado entre a gente. Nós falávamos que íamos fazer, mas nunca acontecia. Tivemos planos de fazer uma cerimônia mais íntima, mas chegou em um momento triste. É sofrido ver ele assim, mas é uma realização muito sonhada por nós dois”, destaca Cleonice.
Além da equipe médica, o casamento contou com a presença de familiares de Cleonice, que moram em Itapetininga. Já os parentes de Francisco não puderam comparecer devido à distância, já que moram no Ceará.
“Quando a porta da capelinha se abriu, foi a sensação mais bonita do mundo. Eu mal consigo descrever. Apenas olhava para a cara dele e pensava que ele era o homem mais bonito do mundo. Ele também disse isso para mim”, descreve a noiva.
Pedido atendido
O padre responsável pelo matrimônio, Fernando Carvalho, contou ao g1 que o desejo de Francisco surgiu após uma oração feita em conjunto com o médico responsável pela ala paliativa do hospital.
“O doutor estava falando e rezando junto a ele, até que o Francisco verbalizou o desejo de casar. O médico disse que resolveria isso na hora. Foi um pedido atendido”, diz.
O padre é, também, o capelão do hospital. Mesmo atuando no local, ele conta que nunca passou por nenhuma situação parecida em tantos anos como líder religioso.
“Foi a primeira vez. E que primeira vez emocionante. O casamento é visto como a celebração da vida de um casal. Pensamos na graça, no coração, na alma, na alegria que brotou da alma por realizar um sonho. Casar em um momento de aflição não é nem pensar no tempo cronológico”, destaca o padre. (Por Diogo Del Cistia, Pâmela Beker, g1 Itapetininga e Região)




