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Paciente com câncer terminal se casa com companheira em capela de hospital: ‘É a pessoa que eu sempre quis’, diz noiva

Francisco Ferreira dos Santos está em tratamento contra um câncer no estômago há 13 anos. Atualmente, está em cuidados paliativos no HLOB, em Itapetininga (SP). Ele e Cleonice Lima estão juntos desde 2010

O casamento é um dos momentos mais sonhados por muita gente. Mas, quando o assunto é esse, uma pergunta ainda divide opiniões: existe a hora certa para dizer “sim”? Francisco Ferreira, de 48 anos, e Cleonice Lima, de 49, mostram que o amor não segue prazos.

Internado na ala de cuidados paliativos do Hospital Léo Orsi Bernardes (HLOB), em Itapetininga (SP), ele oficializou a união com a companheira na segunda-feira (6), após 16 anos de relacionamento, provando que nunca é tarde para celebrar o amor.

Ao g1, a noiva conta que o casal se conheceu em Itapetininga, durante uma festa: “Nós nos conhecemos durante um baile em Itapetininga e eu acabei convidando ele para dançar. Ele ficou ‘que nem bobo’. Foi uma história muito bonita que perdura até hoje”.

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Segundo Cleonice, a ideia de oficializar a união partiu de Francisco. Diagnosticado com câncer no estômago em 2013, ele passou a enfrentar a doença de forma mais agressiva nos últimos dois anos.

Francisco e Cleonice estão juntos há 16 anos – Foto: Arquivo pessoal

A companheira, que segue ao lado dele durante a internação, conta que não imaginava viver esse momento dessa forma e que a cerimônia foi uma experiência única. Vestida de noiva, ela celebrou o matrimônio com o parceiro de longa data na capela do hospital.

“Foi algo completamente único e que me deixou muito emocionada. Ele é a pessoa que eu sempre quis e fiz de tudo para ter por perto. Só Deus sabe o quanto eu amo esse homem”, diz.

A cerimônia teve não apenas a presença de diversos funcionários do hospital, mas também o apoio deles com a organização. A equipe conseguiu maquiador, padre, aliança, bolo e doces para a celebração ficar completa. Após a cerimônia religiosa, o casal assinou ali mesmo os documentos que oficializaram o casamento.

“Eu sequer imaginava que teria uma aliança. O casamento sempre foi um assunto muito comentado entre a gente. Nós falávamos que íamos fazer, mas nunca acontecia. Tivemos planos de fazer uma cerimônia mais íntima, mas chegou em um momento triste. É sofrido ver ele assim, mas é uma realização muito sonhada por nós dois”, destaca Cleonice.

Além da equipe médica, o casamento contou com a presença de familiares de Cleonice, que moram em Itapetininga. Já os parentes de Francisco não puderam comparecer devido à distância, já que moram no Ceará.

“Quando a porta da capelinha se abriu, foi a sensação mais bonita do mundo. Eu mal consigo descrever. Apenas olhava para a cara dele e pensava que ele era o homem mais bonito do mundo. Ele também disse isso para mim”, descreve a noiva.

Pedido atendido

O padre responsável pelo matrimônio, Fernando Carvalho, contou ao g1 que o desejo de Francisco surgiu após uma oração feita em conjunto com o médico responsável pela ala paliativa do hospital.

“O doutor estava falando e rezando junto a ele, até que o Francisco verbalizou o desejo de casar. O médico disse que resolveria isso na hora. Foi um pedido atendido”, diz.

O padre é, também, o capelão do hospital. Mesmo atuando no local, ele conta que nunca passou por nenhuma situação parecida em tantos anos como líder religioso.

“Foi a primeira vez. E que primeira vez emocionante. O casamento é visto como a celebração da vida de um casal. Pensamos na graça, no coração, na alma, na alegria que brotou da alma por realizar um sonho. Casar em um momento de aflição não é nem pensar no tempo cronológico”, destaca o padre. (Por Diogo Del Cistia, Pâmela Beker, g1 Itapetininga e Região)

Paciente com câncer terminal casa com companheira em capela de hospital de Itapetininga
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