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Fundado por José Carlos Tallarico

“Senhor das moscas” e seus sinais

Tenho meditado este tema por muito tempo… Creio que por mais de vinte anos. Por várias vezes me senti tentada a escrever, contudo, devido à complexidade ou mesmo a dificuldade em trazer reflexões importantes e que fizessem sentido, fui deixando para trás.

“Senhor das moscas” faz alusão à Belzebu, comumente associado à mentira, trapaça, corrupção, intrigas, perturbações, habita em ambientes onde imperam a discórdia, a maledicência, os julgamentos – onde inexiste a humildade, o perdão ou a caridade. Se em nossa casa temos o hábito da fofoca, falta de paciência, se agimos com rispidez, em discussões tolas e acusações – faltando com a caridade –  justamente para com aqueles que deveríamos oferecer o melhor de nós – estaremos alimentando tudo aquilo que está corrompido (que cheira mal!).

Assim, poderemos atrair diversos tipos de animais, desde moscas, baratas até o mais peçonhentos, apesar do ambiente estar devidamente limpo e organizado. Porque nossos pensamentos, atitudes e ações exalam uma energia e revelam quem somos de fato. Em Eclesiastes, 10,1, vemos:

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“As moscas mortas fazem o perfume do perfumista exalar mau cheiro”.

Se em minha casa não impera a paz, a amabilidade, o perdão, a ordem, a caridade, haverá a confusão, a discórdia e “Deus não é Deus da confusão, mas de paz”. (1 Cor 14,33). E, se não há a Presença do bem, da bondade, quem reinará em sua casa?

Desta forma, a casa pode estar higienizada, mas, estará “espiritualmente suja”, contaminada; atrairá os “bichos” que sentem sintonia com nosso padrão espiritual, com a forma como nos comportamos.

É evidente que tudo isto não é uma regra, mas, comece a observar… Repare que o pecado desorganiza, desestrutura a pessoa, afasta da paz. A caridade se refere não somente a ajudar necessitados, mas também a não ferir o semelhante, não ofender com palavras, não espalhar confusão, não ficar computando pequenas falhas do outro – a não guardar rancor ou ressentimento. Caridade, segundo o apóstolo Paulo em 1 Cor 13, 3-7:

“Ainda que distribuísse todos os meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada valeria! A caridade é paciente, a caridade é bondosa… não é orgulhosa. Não é arrogante… Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.”

Amo meditar estas palavras e direcionar minha vida com base nestes preceitos:

“A caridade é paciente, bondosa. Tudo desculpa, tudo suporta”.

Veja a dimensão da Caridade! Compreendendo que “o amor cobre uma multidão de pecados”. 1 Pedro 4,8.

Em diversos textos das Sagradas Escrituras encontramos ensinamentos sobre o poder que a “língua” tem, no que pode ocasionar: “A língua é um fogo… contamina todo o corpo”. (Tiago 3,6). “O mexeriqueiro separa os maiores amigos”. (Provérbios. 16,28).

O Cristianismo ensina que a fofoca corrói, destrói comunidades, afasta da paz e “apodrece” o ambiente espiritual. Neste sentido, temos a associação simbólica com Belzebu: “senhor das moscas”. Este é um ponto importante na cultura e tradição cristã e judaica.

A Palavra está intimamente ligada com a “salvação”. Pelo poder da Palavra Deus criou o mundo e tudo o que se vê. Pela Palavra: “O Verbo habitou entre nós”. “A boca fala do que está cheio o coração”. (Mt 12,34). Pela palavra ofertamos a benção ou a maldição. Atraímos o que é semelhante a nós.

Observe como nossas casas podem conter vários tipos de insetos, desde os mais comuns até os mais peçonhentos e repulsivos. Repare também como algumas casas, ou melhor: pessoas, podem atrair “bichos” de acordo com suas atitudes e ações. Certamente que a limpeza do ambiente é de extrema relevância, assim como a higienização, a organização e até mesmo a dedetização. Porém, se não prestarmos atenção na forma como agimos, falamos, podemos atrair animais indesejáveis, apesar do ambiente estar limpo e organizado.

Há muito tempo venho analisando os “bichos” que aparecem em minha casa, ou em lugares que frequento, tenho isso como sinais. Tenho compreendido que, de acordo com minha conduta, haverá ou não a presença de alguns animais. E quando aparece algum indesejável (formiga não conta, kkk) limpo tudo com mais vigor e imediatamente começo a fazer minhas orações.

Alguns animais sinalizam os ambientes sujos (em todos os sentidos). Moscas gostam de lugares cheios de sujeira, mas também de lugares dominados pelas fofocas, maledicências, murmurações e lamúrias. Baratas gostam de pessoas mesquinhas, avarentas, orgulhosas e preguiçosas. Pernilongos se atraem por pessoas egoístas (aproveitadoras). Traças de pessoas duas caras, que se escondem ou fingem aparência de bondade.

Os animais se aproximam do que lhes é familiar. Experimente limpar e organizar bem sua casa, deixar tudo perfumado, aconchegante; doe o excedente, reparta, se afaste do consumismo, do acúmulo, isso também representa a avareza (e configura um tipo de demônio). Ajude pessoas em situações de dificuldades, aqueles que encontramos em nosso dia a dia e também aqueles que nos servem e que geralmente são invisíveis ao mundo.

Quando conto como eliminei “bichos” indesejáveis, me perguntam como fazer isso. Dobre seus joelhos e clame pela Presença do Senhor, entregue ao Espírito Santo cada cantinho de seu lar, cada pessoa que convive com você: abençoe, perdoe, peça perdão e, com fé, confie no Pai. Você poderá se surpreender com o resultado.

E, apesar dos pecados que temos, peça pela santidade: ela exala um “perfume” e também tem seus sinais!

Professora Drª Maria do Carmo Lincoln Paes. Pianista, Graduada em História; Pós-graduação em Filosofia; Mestre em Educação e Doutora em Educação. Email: carmolincoln@gmail.com

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