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Fundado por José Carlos Tallarico

Se está tudo certo, como demonstrar?

Quando a resposta encerra o protocolo, mas não esclarece a pergunta.

Nos últimos dias, tenho refletido sobre uma questão que considero fundamental para a administração pública: a diferença entre apresentar uma resposta formal e efetivamente esclarecer aquilo que foi questionado.

Recentemente, o presidente da Câmara Municipal de Capão Bonito SP, Alan Senciatti, ao abordar a falta de respostas a requerimentos legislativos, relatou tentativas de diálogo com o Executivo e o encaminhamento da questão ao Ministério Público.

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A manifestação merece reflexão, porque a transparência não deveria depender do grau de insistência de quem solicita uma informação pública.

Em minha atuação como cidadão, também tenho enfrentado situações que me levaram a questionar a efetividade de determinadas respostas administrativas.

Nos protocolos nº 5486/2026 e nº 9482/2026, relacionados à adequação de redutores de velocidade e à acessibilidade dos abrigos de transporte coletivo, recebi manifestações da Prefeitura e encaminhei questionamentos complementares, pois entendi que pontos importantes dos pedidos originais ainda não haviam sido suficientemente esclarecidos.

Não se trata de desconsiderar providências anunciadas ou prazos administrativos. Trata-se de distinguir o compromisso de executar uma medida do dever de prestar informações sobre seus fundamentos, documentos e procedimentos.

Uma resposta pode informar que algo será feito, mas ainda deixar sem esclarecimento como, quando, com quais critérios e sob qual responsabilidade.

Para entender isso de maneira simples, basta pensar em uma situação do nosso cotidiano.

Se uma pessoa decide construir uma garagem, precisa definir o que pretende fazer, verificar medidas, fazer orçamento, comprar materiais e contratar alguém para executar o serviço. Ao final, saberá o que foi planejado, comprado, utilizado e executado.

Em uma obra pública, guardadas as proporções, também existem planejamento, aquisição, execução, medições, responsabilidades e registros. Se esses elementos fundamentaram uma decisão, é razoável que possam ser identificados.

Se determinado documento não existir, que isso seja informado. Se houver registros, que sejam apresentados. Se houver providências em andamento, que sejam esclarecidas.

Uma Administração bem estruturada é aquela que utiliza seu conhecimento técnico, jurídico e administrativo para transformar questionamentos em esclarecimentos, correções e soluções.

Também aguardo a manifestação referente ao requerimento administrativo nº 10/2026, protocolo nº 12944/2026, sobre a aquisição, o recebimento, o controle, a utilização e a aplicação de pedras pelo município.

São 28 itens, com desdobramentos destinados a compreender toda a sequência administrativa, desde o planejamento da aquisição até a aplicação, medição e pagamento.

Não espero uma resposta extensa por formalidade. Espero uma resposta compatível com a complexidade do que foi perguntado.

A objetividade é uma qualidade. A superficialidade, não.

A cronologia também merece esclarecimento.

Em todos os meus requerimentos que chegaram a esse estágio, não fui comunicado de eventual necessidade de prorrogação do prazo por mais 10 dias. Em alguns casos, sequer recebi resposta antes de recorrer ao Ministério Público.

Após o encaminhamento da minha representação, cinco requerimentos administrativos passaram a apresentar movimentações semanas depois, segundo os registros que acompanhei. Entre eles, está o requerimento referente às locações de imóveis públicos, que, após ter sido arquivado, foi desarquivado.

Não afirmo que essas movimentações decorreram da representação, nem atribuo a elas uma motivação que não esteja documentalmente demonstrada. Registro apenas a sequência dos acontecimentos, conforme os registros que acompanhei.

Se os questionamentos já estavam formalizados, é legítimo perguntar o que motivou a retomada dessas tramitações naquele momento. Transparência também envolve explicar atos administrativos, suas datas, fundamentos e consequências.

Às vezes, lendo algumas respostas, até me lembro dos questionários das primeiras séries. Havia perguntas com alternativas e bastava marcar um X. Se fosse um questionário, talvez as alternativas fossem:

( ) Está dentro das normas.

( ) será adequado em 60 dias.

( ) está correto.

Brincadeiras à parte, uma pergunta administrativa nem sempre pode ser respondida apenas com um “X”. Quando se pergunta por que, qual documento fundamentou a conclusão, qual medida foi encontrada ou qual norma foi aplicada, a resposta precisa permitir compreender como se chegou ao resultado.

Fiscalizar não é procurar conflitos e muito menos procurar pelo em ovo.

É perguntar quando existe uma dúvida, conferir quando existe uma informação técnica e aceitar a correção quando os fatos demonstrarem que o questionamento estava errado.

Se eu estiver errado, não tenho dificuldade alguma em reconhecer. Só preciso que me mostrem, com fatos, documentos, medições ou fundamentação, onde está o meu erro.

Não estou pedindo uma resposta que confirme aquilo que penso. Estou pedindo uma resposta que me permita saber, com segurança, se estou certo ou errado.

Fiscalizar é contribuir para que aquilo que é público funcione melhor.

Responder é uma obrigação. Esclarecer é respeito ao cidadão.

@LucianoBaixinho

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