Publicado desde 1969
Fundado por José Carlos Tallarico

Obesidade e saúde da mulher: uma questão além da estética

Acompanhamento médico é fundamental e poderá incluir outros profissionais, para atendimento multidisciplinar

A obesidade é um dos principais desafios de saúde pública da atualidade e seus impactos vão muito além da aparência física. Na saúde da mulher, o excesso de peso está diretamente associado a alterações hormonais, distúrbios ginecológicos, dificuldades reprodutivas e mais riscos durante a gestação, exigindo atenção especial.

De acordo com o médico ginecologista Dr. Alexandre Rossi, responsável pelo ambulatório de Ginecologia Geral do Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros, a obesidade interfere de forma significativa no equilíbrio hormonal feminino.

“O tecido adiposo funciona como um órgão endócrino ativo, capaz de alterar a produção hormonal e desencadear uma série de consequências para a saúde da mulher, que vão desde irregularidades menstruais até dificuldade para engravidar”, explica.

Imagem

No campo da ginecologia, mulheres com obesidade podem apresentar irregularidade do ciclo menstrual e têm mais riscos de desenvolver a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), resistência à insulina e infertilidade. O excesso de peso também está associado a doenças crônicas, como diabetes tipo 2, hipertensão e risco aumentado de cânceres ginecológicos, especialmente o câncer de endométrio.

Já na obstetrícia, os cuidados devem ser redobrados. A obesidade materna está relacionada a mais chances de complicações durante a gestação, como diabetes gestacional, pré-eclâmpsia, trombose e parto prematuro.

“Essas condições podem impactar tanto a saúde da mãe quanto do bebê, aumentando o risco de complicações no parto e no período neonatal”, alerta o especialista.

Segundo o Dr. Alexandre Rossi, o acompanhamento médico antes mesmo da gravidez é um passo fundamental.

“O planejamento reprodutivo e a adoção de hábitos saudáveis antes da gestação contribuem significativamente para reduzir riscos e promover uma gravidez mais segura e tranquila”, destaca.

O tratamento da obesidade deve ser individualizado e multidisciplinar, envolvendo orientação nutricional, prática de atividade física regular e acompanhamento médico contínuo. Mais do que a perda de peso, o foco deve ser a promoção da saúde, do bem-estar e da qualidade de vida em todas as fases da vida da mulher.

“A obesidade não pode ser encarada como uma questão estética.Trata-se de uma condição de saúde que exige cuidado, informação e acompanhamento adequado, especialmente quando falamos da saúde ginecológica e obstétrica”, conclui o médico.

Facebook
Twitter
WhatsApp

PUBLICIDADE