Consegue dominar seus pensamentos, sentimentos, ou você é dominado por eles? Qual o efeito da ansiedade em sua vida? Consegue ouvir as pessoas, estar presente, com tempo para acolhê-las? Consegue desfrutar das pequenas (grandes) coisas da vida?
Começo com essas questões porque durante muito tempo fui dominada pelos pensamentos, emoções, em vez de estar no comando delas sinto que vivia no piloto automático. E eu achava, sinceramente, que ouvia as pessoas. Reconheço que sequer conseguia silenciar minha própria mente. Tinha pensamentos acelerados, vivia agitada, com pressa, como que medindo o quanto fazia por dia!
Repare que, quando estamos ansiosos, a calma, a tranquilidade, não permanece. Ficamos agitados, ruminando pensamentos, presos, e talvez, paralisados diante dos problemas. Sem falar no nível de cortisol em nosso organismo e as doenças que tudo isto acarreta em nosso corpo. Comigo não foi diferente: desenvolvi “Transtorno de ansiedade”, culminando em 2009 com a “Síndrome do Pânico”. Felizmente, isso faz parte do meu passado, pois procurei ajuda, tanto na psicoterapia como em leituras que me ajudassem a compreender o que vivia.
Há uma trajetória importante para aprendermos a estar no comando de nossas ações. Envolve a fé, a espiritualidade, mas envolve também conhecermos os mecanismos que podem nos trazer a paz interior, a serenidade, a virtude da prudência, temperança: da mansidão. Para tanto, precisamos do autoconhecimento. Quando nos conhecemos profundamente, podemos entender o porque do gatilho mental que nos levou a determinadas atitudes, compreender o que se esconde em nosso subconsciente e como confrontar esses gatilhos, reorganizando a mente.
Como sempre tive muita fé, achava que somente com a oração poderia me livrar tanto da ansiedade como do pensamento acelerado, de complexos de inferioridade, do sentimento de abandono, de emoções que surgiam após algum gatilho emocional, que brotavam em um rompante, e eu nem sequer entendia o porquê. Não que Deus não tenha o poder de nos curar. Ele pode tudo! Acontece é que temos a nossa parte no agir. Em nossa condição humana, precisamos aprender a nos conhecer, a dirigir os pensamentos, emoções. A estarmos centrados no que realmente importa. Porque os pensamentos podem nos iludir, nos cegar momentaneamente ou até mesmo para a realidade.
Em diversos versículos bíblicos encontramos a revelação de que Deus está no comando de tudo (Ele nunca dorme!), mas que temos que cumprir com nossa parte, na decisão do agir. Quando Jesus curou a menina Talita, quando a ressuscitou, vemos que ordenou para que ela se levantasse, mas, em seguida, pediu que dessem comida a ela. Também na morte de Lázaro, quando foi ver o amigo, que já estava morto por quatro dias, Jesus fez o milagre, ordenando que ele voltasse à vida, porém, em seguida, pediu que retirassem os panos que envolviam seu corpo. Ou seja, Deus oferece a cura, mas nós temos que fazer a parte que nos compete.
Deus quer caminhar conosco, está ao nosso lado, sempre, mas há um caminho que devemos trilhar, no presente, hoje, em busca da paz. Veja que paz não é a ausência de problemas, dores, mas sim que, tendo conhecimento do que lhe compete fazer, sua confiança estará em Deus, sua atenção estará focada no Senhor e na sua capacidade para não se deixar dominar. Não haverá excesso de preocupações, nem desespero. Sempre haverá problemas, mas, mesmo diante de sofrimentos, adversidades, podemos caminhar fortalecidos, sem ansiedade, na paz. O ato de se preocupar retira a confiança em Deus.
Todavia, como permanecer na paz, como ficar sem a ansiedade ou o medo que paralisa, sem as aflições, o desânimo?
Treinando a mente e procurando intimidade com o Senhor. O pulo do gato é: orar sem cessar, vigiar os pensamentos, estar atento em sua capacidade de duvidar dos pensamentos, buscar pela paz mental e espiritual e colocar sua confiança totalmente em Deus.
Veja que Deus não está presente no passado de seus pensamentos. Nem na preocupação do futuro. Ele está presente no agora. Então, só por hoje você vai se decidir por fazer uma coisa de cada vez, com a atenção plena (Mindfulness), focado em sua capacidade de não se deixar guiar por pensamentos que não estão em consonância com a Sagrada Escritura. Rechaçar os pensamentos que são negativos, autodestrutivos, que lhe prendem ou trazem sofrimentos, culpas – que retiram a paz. Os pensamentos nem sempre são a voz da consciência, ou a voz de Deus. Você pode se autossabotar por meio de pensamentos destrutivos, doentes. E a pessoa que estiver em depressão certamente terá pensamentos de autopunição, que pregam a incapacidade, a inferioridade, a culpabilidade pelas coisas ruins que lhe acontece.
Deus não nos quer ansiosos. Ele veio para que todos tenham vida e a vida em abundância! A mente prega peças. Por vezes, nossos pensamentos não correspondem ao melhor para nós. O cérebro provoca reações químicas em nosso corpo, cria pensamentos que não são verdadeiros, que podem nos confundir ou adoecer.
Creio que o cérebro é como uma máquina, um HD, colocado em nosso corpo. Quem deve comandar o corpo não é a mente, mas sim o espírito, que está acima. Somos seres espirituais, todos temos a capacidade de nos colocarmos acima de nossos desejos, impulsos, pensamentos, pois temos o espírito que está acima do corpo, e, o melhor: acima de nós está Deus.
Os pensamentos sadios não vem naturalmente, ao contrário, precisamos buscar por eles e rechaçar os que causam limitações, sofrimento, culpa. E precisamos proferir palavras de cura. Não podemos impedir os maus pensamentos, nem nos culpar por eles, mas, podemos substituí-los: temos o poder de escolha.
A decisão por não se deixar dominar é que determinará o início da cura.
Professora Drª Maria do Carmo Lincoln R. Paes.
Pianista, Graduada em História; Pós-graduação em Filosofia; Mestre em Educação e Doutora em Educação.
Email: carmolincoln@gmail.com



