Singelos momentos e toda a profundidade de ser Pai. Uma oração e o sonho do mundo na exuberância de uma noite enluarada. Como falar do amor ao amor, na complacência e na benevolência da eterna aliança entre Pai e Filho (a)? O âmago, a alma, o afeto e o humano que se humaniza e se solidariza com o todo.
A casa, o lar, o aconchego e os braços que acolhem. O sorriso acanhado e o olhar de quem enxerga longe. A experiência vivida, pai e eternidade. O trigo, o pão, a semente e o embrião. Há um convite às estrelas ao fitar o céu com a janela aberta e a alma iluminada.
Uma mensagem sublinhada ao amanhecer de todos os dias. Um sentimento que tece, com ternura, os próximos passos daqueles que desejam caminhar. Sentado na varanda do aconchego, permanece a ausência de uma imagem que ainda se faz presente. Presença, ausência, saudade e lembranças. A vida vai costurando novos panos de fundo, confeccionando bases sólidas, mesmo quando feitas de retalhos.
Falar do Pai como um sopro de sentimento. Como uma mão ainda forte a nos sustentar. Falar de poesia, apegar-se aos versos, como quem reencontra o abraço de um pai. Ter a coragem de seguir, guardar a verdade como uma pérola e encontrar, entre curvas e retas, a liberdade de prosseguir. Receber o amparo e reconhecer-se filho da ternura.
A premissa das aventuras percorre as trilhas da emoção. O obstáculo no meio do caminho, o silêncio e o apelo à resistência. Uma frase estampada entre o início do infinito e o fim do horizonte. Como um jardim de eterna primavera, onde as flores amanhecem todos os dias. Um carinho, ainda que seja uma pequena e simples lembrança: a lembrança viva e a presença permanente de um pai.
Um livro sobre a estante, ainda que seja apenas um livro de memórias. E, lá longe, escondida nas frestas da imaginação, permanece uma forma de carinho e profunda admiração. É a face vívida e o olhar sereno que apontam a direção a seguir. A presença paterna retratada em seus ensinamentos e nas minúcias de um abraço que jamais deixa de nos envolver. Pai: sentimento dos velhos caminhantes, dos sonhos revestidos de instantes reluzentes.
A bondade semeada por mãos sempre solidárias suaviza as quedas e alivia as dores. Um pouco mais, somente um pouco mais, e o amor se intensifica na busca da plenitude. Vida e missão. Amor de Pai. Paz. A essência das flores não se submete aos espinhos; por isso, fortalece as mãos que afagam, mesmo quando os espinhos ferem.
Pai, quando outro dia amanhecer — e quantas vezes isso ainda for possível, dia após dia — outros versos continuarão vivendo a perenidade dos instantes sublimes. A casa permanecerá envolta por tudo aquilo que é indispensável: o afeto e a singeleza que sobrevivem nas pequenas memórias destinadas a permanecer para sempre.
Frases escritas com afeto e carinho. O vento suave leva consigo cálidos sentimentos. E o que diz o amor ao pai, com a profundidade que atravessa o ser em toda a sua plenitude? Sutilmente, as águas se evaporam e as nuvens acolhem as lágrimas do mundo. A dimensão do amor e do cuidado paterno revela a divindade presente na humanidade. O que ainda resta faz florescer os campos e amadurecer os frutos que se solidarizam com a terra.
O som da poesia, em versos embevecidos, é servido em um cálice de saudade. Assim como a abelha sobrevoa a flor, os dias intermináveis sempre guardam sabores diferentes. O tempo, com sua memória, sussurra a si mesmo que amar é viver. Pai: o tempo e o amor, suavizados em sua essência, insuflam os corações que ainda cultivam os mais genuínos sentimentos. São mensagens de horizontes coloridos, sob sóis que aquecem os gélidos corações daqueles que ainda sublimam a vida nas cores que humanizam.
Mensagem eternizada nos labirintos da existência, como uma carta escrita e exposta nos vitrais da humanidade. Ainda ressoam o som, o silêncio e a cantiga de ninar. Versos escritos pela simplicidade que o tempo moldou com sua sabedoria. Sublime mensagem de infinitos e horizontes, de sonhos e esperança. Meu Pai: a vida escrita em um pergaminho de saudade.
Luiz Carlos de Proença – Autor dos livros: A pele do vento e Humana poesia



