Não havia prestado atenção sobre a importância da temperança. Diante de tantas outras virtudes cristãs, acho que pensei que ela não fosse tão importante, como a fortaleza, a justiça ou a prudência. Isso sem mencionar as virtudes teologais: fé, esperança e a caridade. Mas, sobre a temperança, especificamente, não havia refletido com profundidade.
A temperança, segundo São Tomás de Aquino, representa o autodomínio, o autocontrole, saber renunciar, dizer não para tudo que for excesso ou que possa nos afastar das coisas de Deus. Significa sublimar as paixões, moderar os impulsos e apetites. Essa virtude ensina o desapego, a modéstia. Para que possamos agir com cautela, com consciência e responsabilidade, na razão, pois temos constantemente diante de nós as seduções mundanas, os prazeres, enfim, estamos expostos ao consumismo desenfreado, à maximização da felicidade.
Mas, como adquirir a virtude? São Tomás ensina que as virtudes humanas são adquiridas por hábitos bons, realizados constantemente, ou seja, no nosso dia a dia. A virtude é o aperfeiçoamento das atitudes humanas para o agir correto, dentro da moral, no bem.
A temperança é a virtude que modera a fascinação, o desejo que temos pelas coisas, bens, prazeres, para trazer o equilíbrio de nossas ações, para que não fiquemos como carros desgovernados, seduzidos por tudo e todos, sem o controle de nossas ações.
Ela nos auxilia a sermos pessoas melhores, dizendo não aos excessos, seja ele qual for: na comida, não cometendo a gula, no consumismo, evitando comprar coisas supérfluas, para que não acumulemos coisas, bens, sem lembrarmos dos irmãos menos favorecidos, de tantas pessoas que vivem em situação de miséria e precisam de nossa ajuda.
Enfim, cada um refletirá sobre o que lhe domina, o campo que lhe parece mais difícil… Vencendo nossas inclinações, ou mesmo, os vícios, podemos oferecer a Deus, como um gesto de amor, de gratidão. Principalmente no período em que nos encontramos, com o advento do Natal.
Creio que nessa época, seja importante relembrar o papel das virtudes, sobre o significado real do Natal. E, por mais que vejamos pessoas agitadas, iludidas pela correria de final de ano, presas em intermináveis compras, presentes e coisas do tipo, podemos presenciar, também, aqueles que vivenciam o advento do Salvador, que esperam a celebração do nascimento do Menino Jesus.
Confesso que fico muito emotiva nesta época do ano (choro mesmo). Mas não choro pela ausência de meus amados que se foram, como meu doce filho Marcos, que morreu tão moco, ou pela ausência de meus pais, avós, sobrinhas, enfim, tantos familiares e amigos queridos que se foram.
Certamente que toda essa ausência aflige meu coração, mas, nessa época, precisamente no dia de Natal, quase não me permito chorar de tristeza. Choro mais de alegria, de gratidão mesmo. Por saber que um Deus tão grandioso, tão poderoso teve a incomensurável humildade de vir até aqui por nós, nascendo como um frágil bebê.
Veja a grandeza, a riqueza deste acontecimento: Ele precisou se esvaziar de toda a Sua Glória para poder nascer como um menino. Aquele que não cabia em lugar nenhum do mundo se fez pequeno para habitar entre nós. Veio por um amor que sequer temos condições de avaliar: um amor inexplicável – inimaginável!
Por isso, todos os que somos cristãos rememoramos os passos de Jesus, desde a Anunciação, quando o Anjo Gabriel visitou a Virgem Maria, a forma doce e obediente com que ela disse sim a Deus, estendendo, desta forma, a possibilidade do céu a toda humanidade.
Gostaria de compartilhar uma última reflexão, pensando em todas as virtudes, no modo como nos comportamos: há em mim, em minhas ações, semelhanças com Cristo?
Se não há, preciso de conversão. E a conversão não acontece do nada: precisamos renunciar, saber dizer não aos excessos, a tudo que pode nos afastar de Deus.
E, se porventura ainda não conseguimos (muitas vezes não consigo), podemos pedir pela Graça. Graça não é algo, é alguém: é a pessoa de Jesus Cristo! Não existe uma fórmula para a conversão, mas, certamente, os que foram tocados por Ele agem de forma diferente, pois se assemelham Àquele que tanto amam.
Viva o Menino Deus!
Feliz Natal
Professora Drª Maria do Carmo Lincoln R. Paes. Pianista, Graduada em História; Pós-graduação em Filosofia; Mestre em Educação e Doutora em Educação.
E-mail: carmolincoln@gmail.com



