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Fundado por José Carlos Tallarico

A Ilusão da Arrecadação e a Realidade das Vidas Perdidas: UM ARREPENDIMENTO NECESSÁRIO

Ler o recente artigo de Dimas Ramalho me transportou para cerca de dez anos atrás. Naquela época, vi um deputado em quem me arrependo amargamente de ter votado recolocar em pauta no Congresso a legalização de cassinos e casas de bingos. Faço questão de frisar, como sempre faço, que meu arrependimento e minha crítica dizem respeito estritamente à sua atuação como parlamentar, e não à sua vida pessoal. Ele se elegeu prometendo focar em projetos de geração de empregos, mas o que fez foi o caminho inverso.

Reconheço que esta não é a primeira vez que sinto o peso de uma escolha equivocada. Na verdade, meu primeiro voto para a Presidência da República foi o único em que meu candidato saiu vitorioso, elegendo justamente o Collor o “caçador de marajás” que se provou uma grande ilusão. Desde aquele erro no Executivo nacional, passei a priorizar as opções que acredito serem as melhores ou, em muitos casos, as “menos piores”. O exercício da democracia nos expõe a riscos, mas busco constantemente o acerto, aprendendo com os equívocos para não repeti-los.

Naquela época da reapresentação do projeto, ainda não ouvíamos falar de aplicativos de apostas, mas eu já me preocupava, pois conhecia pessoas e amigos que saíam de Capão Bonito quase diariamente apenas para ir às casas de bingos de Itapetininga e Sorocaba para jogar. Eu me manifestava contra, mas ouvia de quem apoiava que os jogos já existiam de forma ilegal e que o Brasil perdia muito em impostos, que muitas oportunidades de empregos seriam criadas e que parte da arrecadação seria revertida para a sociedade.

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Hoje, diante das notícias de pessoas se endividando e famílias se separando, reflito sobre o efeito contrário de tudo o que os deputados defenderam. Como aponta o artigo do Dimas, o número de empregos criados passou discretamente de mil um contraste pífio com a promessa de milhões. Para efeito de comparação, enquanto parlamentares gastavam energia ressuscitando a jogatina, deixavam na gaveta projetos como o PL 229/1995, de Marcelo Déda. Aquele projeto visava criar incentivos reais para empresas que contratassem jovens sem experiência. Em vez de criar um “exército de endividados”, o país poderia ter inserido milhões de jovens no mercado formal. Infelizmente, o projeto do emprego acabou arquivado, enquanto o do vício avançou.

Eles diziam que, após a legalização, os jogos seriam fiscalizados e apenas pessoas de maior ou sem compulsão poderiam jogar. O que não contavam é que o efeito seria pior: hoje, cada cidadão anda com um cassino digital no bolso, disponível 24 horas por dia. Não sei como esses parlamentares conseguem dormir vendo o endividamento social, famílias se desintegrando e pessoas até cometendo suicídio. Será que agiram certo? O que farão para minimizar esse fracasso? Será que as vantagens financeiras são maiores que as vidas perdidas?

Reflitam e se posicionem. Dar um passo atrás não é vergonhoso; mostra que reconheceram o erro. Na votação desse projeto, a maioria dos 246 votos favoráveis veio do Centro e de alas da Direita, enquanto a resistência de 202 votos uniu parte da Esquerda e da Direita religiosa. É a prova de que a ganância por impostos ignorou o impacto humano.

Um conselho ao eleitor: como estamos em ano de eleição nacional, pesquise o histórico de seus candidatos. Procure saber quais parlamentares votaram a favor da legalidade dos jogos. Não repitamos o erro de reeleger quem prioriza a jogatina em vez da dignidade das famílias. Pesquise para não carregar o mesmo arrependimento que carrego hoje.

E você, conhece ou já ouviu falar de alguém que perdeu o emprego, a paz ou a família por conta do vício nas Bets? Compartilhe seu relato — ele pode ser o alerta que alguém precisa hoje.

@LucianoBaixinho

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