Publicado desde 1969
Fundado por José Carlos Tallarico

Uma carta ao amanhecer

Em algum lugar distante, vislumbro meus momentos e visualizo o horizonte pelas frestas da imaginação. Aos poucos, tudo se desfaz e se refaz. Após a chuva e a noite escura, o dia amanheceu ensolarado.

Às vezes, me encontro no mesmo lugar, nutrindo-me de mim mesmo. A vastidão do todo em tudo me envolve, como um redemoinho de estranhezas em dias aborrecidos.

Estou entre o tudo e, às vezes, entre o nada; em outras vezes, voo alto em busca de mim no topo da imaginação. Escrevo para preencher o vazio de certos momentos, quando me encontro distante do lugar onde estou. Viajo entre palavras e ausências. Distante, à beira de outros caminhos, saboreio a vida ao meu redor.

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Sentado à margem de mim mesmo, escrevo versos que vêm ao meu encontro e me levam para outros momentos. Ao meu redor, a imensidão se revela em lugares inimagináveis, uma aquarela de cores, versos cortantes e poesias solitárias.

Ao meu lado, uma carta ao amanhecer, envolta nos primeiros raios de sol, repousa sobre a relva verde ainda úmida sob as lágrimas da noite. “Com carinho, alguém em busca de um novo caminho”, diziam as primeiras linhas da carta. Era simples, sem remetente e sem endereço, exposta aos primeiros raios de sol daquela manhã suave e sublime.

Alguém em busca de um novo caminho. Qual o sentido dessa frase? Não sei ao certo, mas há muitos significados nessa busca. Quem está em busca de um novo caminho? Que caminho é esse? Onde ele levará? Essa simples frase desperta questionamentos e reflexões.

A carta continuava como uma brisa suave, esperando que essa ausência fosse preenchida. No coração, um profundo sentimento se alimentava de si mesmo, nutrindo cada instante dos imensuráveis momentos. Era para calar o silêncio, mas aquela voz preferiu ouvi-lo, ouvindo-se a si mesma em meio à inquietação.

Continuei a ler a misteriosa carta, sem entender completamente o sentido de tudo o que estava escrito. Mas era possível compreender a mensagem e a intenção profunda que ela carregava. Era destinada a alguém que precisava ouvir aquelas palavras.

Os próximos parágrafos estavam repletos de sentimentos, descrevendo momentos inesquecíveis, cheios de emoções e nostalgia. Naquelas manhãs, parecia que a vida renascia a cada instante, a cada raio de sol que cruzava o horizonte, refletindo na parede da memória a vida em sua plenitude. A carta terminava com versos líricos, em uma poesia suave e serena.

Alguém em busca de um novo caminho, à procura de um distante jardim entre a saudade e a espera. Entre a flor e a essência, o espinho que fere. O pão, a fome e os pés descalços seguem os caminhos da vida. Seguem entre dias nublados e, ao entardecer, o cansaço quer o sono para sublimar a vida e sonhar com dias de paz.

Um novo caminho com novos obstáculos, tristezas e alegrias. Um novo caminho com um novo caminhar, sem rastros, vestígios, dores ou rancores. Um novo caminho que está em nós a cada momento, que se apresenta a cada amanhecer, a cada nova oportunidade e possibilidade.

Agora, me vejo sentado à margem de mim mesmo. Ao meu redor, tudo me envolve: o vento que sopra, uma folha que cai, as flores, os frutos, as pedras e o infinito no olhar. O chão que meus pés pisam, o ar que enche meus pulmões. Tudo em pleno silêncio: o céu azul, as nuvens que passam calmamente, o rio que flui contornando suas curvas, sem perder sua essência.

E assim, compreendo que o verdadeiro caminho está em cada instante vivido, em cada reflexão, e cada amanhecer. E percebo que cada novo dia é uma oportunidade de recomeço, um novo caminho a ser trilhado com esperança e determinação. Assim, compreendo que a verdadeira paz reside na harmonia com o presente, onde cada momento é um novo começo.

Luiz Carlos de Proença – Conselheiro Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência Capão Bonito-SP – Autor do livro – O abraço do tempo –

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