O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, publicou nas redes sociais, ontem, quinta-feira (23), uma resposta ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. A reação ocorre após o magistrado afirmar que Zema fala um “dialeto próximo do português” e que, muitas vezes, não é possível entendê-lo.
Na publicação, Zema rebateu a crítica e disse que seu modo de falar difere do que chamou de “português esnobe dos intocáveis de Brasília”.
“Sabe por que você não entende o que eu falo? Porque o linguajar de brasileiros simples, como eu, é diferente do português esnobe dos intocáveis de Brasília. Deixa eu te contar uma coisa: o problema não é você não entender as minhas palavras — isso não me importa. O problema é que os brasileiros não entendem os seus atos. É você recorrer ao autoritarismo para censurar aqueles que criticam o comportamento dos ministros do Supremo. É você e seus colegas terem perdido a noção do que separa o público do privado, o certo do errado, o bem do mal. É isso que brasileiros simples, como eu, não conseguem entender”, disse Zema.
A declaração de Gilmar Mendes foi dada na quarta-feira (22), durante participação no programa JR Entrevista. “Eu estava imaginando que ele fala uma língua lá do Timor-Leste, um tétum ou coisa assim”, afirmou o ministro.
A fala ocorreu após Gilmar pedir a inclusão de Zema no inquérito das fake news, por suposta divulgação de um vídeo com uso de deepfake nas redes sociais.
Antes disso, o ministro já havia criticado o político mineiro em publicação nas redes sociais, classificando como “no mínimo irônico” o fato de Zema atacar o STF após ter recorrido à Corte para obter decisões favoráveis ao governo estadual.
“O mesmo agente que hoje agride o tribunal recorreu a ele inúmeras vezes para obter decisões que suspenderam obrigações bilionárias com a União. Sem o socorro institucional do STF, o então governador teria enfrentado um cenário de grave desorganização fiscal, com riscos concretos à continuidade de serviços públicos essenciais”, escreveu Gilmar.
Durante a entrevista, o ministro voltou a destacar o papel do STF em acordos relacionados às dívidas dos estados com a União. Como exemplo, citou Minas Gerais, que teve o prazo para pagamento dos débitos prorrogado pela Corte.
“Tenho a impressão de que, por conta do papel que o Supremo passou a exercer ao longo desses anos, especialmente no contexto do governo Bolsonaro, da pandemia e das ameaças ao funcionamento das instituições, o tribunal teve de intervir. Vários estados estavam em situação fiscal delicada. É o caso de Minas Gerais, em que, graças a uma liminar do Supremo, o governo Zema ficou 22 meses sem pagar a dívida com a União”, afirmou. (Por Mariana Saraiva, do R7, em Brasília)



