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Fundado por José Carlos Tallarico

Podemos curar a mente com comandos? (Segunda parte)

Senti a necessidade de continuar este artigo devido a algumas questões que me foram apresentadas, principalmente por meu filho Bruno, que considerou que não respondi à proposta do tema no primeiro artigo: faltou responder como funciona esses comandos na ótica Cristã, se serve para questões mentais, mas não físicas, como pode acontecer e como um cristão pode colocar isso em prática.

Os textos da Sagrada Escrita contêm a Palavra viva, não são expressões ao acaso, soltas sem propósito, não, eles carregam princípios espirituais, códigos poderosos que, quando compreendidos, podemos aplicar em nosso dia a dia e receber a cura. O erro do cristão não é exatamente a falta de fé, mas a fé mal posicionada, ou seja, acreditar no poder de Deus, mas não conseguir crer que já recebemos o que pedimos. Em Hebreus 11,1, temos um princípio poderoso:

“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se veem”. Ou seja, o fundamento do que não se vê, mas acredita que se realizará, com convicção, sem duvidar da promessa revelada por Deus. Significa posicionar-se interiormente com determinação, viver como se o milagre já houvesse acontecido. Decretar, escolher crer, dar espaço para a virtude da esperança, vivenciar a “paz que excede todo o entendimento”, descansando no Senhor.

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Em Mc 11, 24: “Portanto, eu vos digo: Tudo o que vocês pedirem em oração, creiam que já o receberam, e assim sucederá”. Veja o tempo verbal: crendo que já recebemos. A fé é também uma postura de gratidão antecipada, que declara a Palavra como verdade presente, mesmo sem ter acontecido; não se trata de constranger a Deus, mas de não ter medo de profetizar o que se acredita, de saber que Ele confirmará segundo a nossa fé.

Como vemos em Mc 5,28-34, com a mulher que sofria de hemorragia: “Se tão somente tocar nas suas vestes, sararei”. E assim se fez: “Filha, a tua fé te salvou. Vai em paz e sê curada do teu mal”. Veja que a alma se posiciona antes do milagre acontecer. Crer e viver como se já fosse seu aquilo que tanto anseia. Abraão, considerado o pai da fé, creu em todas as promessas antes delas se realizarem, assim como Daniel e tantos outros profetas e isso foi tido em grande conta por Deus!

Não somos estranhos batendo na porta: somos filhos do Pai. Isaías 40,31 descreve a fé ativa, em que cremos mas ao mesmo tempo fazemos o que nos compete. Revela que há uma renovação espiritual para os que confiam em Deus: “Mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças, subirão com asas como águias; correrão e não se cansarão; caminharão e não se fatigarão”.

Veja: agir crendo que Deus está guiando cada passo. Oração e ação. Selamos desta forma um ato de fé de um filho que crê na promessa, abrindo para a Presença da Graça (Graça não é algo, é alguém: Jesus Cristo).

Exemplifico com um pequeno testemunho: no ano de 2005 decidi cursar o Mestrado, porém, deveria primeiro passar nas provas e entrevistas, sendo mais de 800 candidatos para 12 vagas; depois, ter condições de pagar as 36 prestações, que eram muito altas diante das minhas posses. Pedi então com muita fé, em oração e, ao mesmo tempo, me coloquei em ação: passei a estudar com determinação para que isso se realizasse. Passei nas provas, contudo, um familiar me apresentou a seguinte questão: “Como irá pagar por isso se você não tem emprego fixo? (Na época eu ministrava aulas de piano em casa). Respondi: não sei, mas tenho certeza que o Senhor dará um jeito (falei exatamente essas palavras).

Resumindo, no mesmo dia em que o Mestrado se iniciava fui efetivada em um concurso público. Vou repetir: no mesmo dia! Teria inúmeros outros exemplos da Graça de Deus em minha vida, não porque mereço ou sou melhor que outros, mas porque acredito de todo o meu coração. Veja que fé requer certeza, não suposição; não se apoia na emoção, na euforia, mas na compreensão dos fundamentos espirituais. Fé é a plena certeza, apesar de ainda não ter acontecido.

Não significa que você nega a realidade mas que que acredita na verdade espiritual. Se a Escritura afirma, a fé confirma. Quando a mente compreende o que o seu espírito já sabe, unindo espiritualidade à clareza racional, precisamos somente fazer a nossa parte. O resto é com Deus.

Assim, o cristão precisa se libertar de crenças limitantes, de traumas, mágoas, tudo o que representa sofrimento e buscar, incansavelmente, a cura por meio dos comandos espirituais; meditar as Sagradas Escrituras crendo nas promessas de Deus. O comando modifica a estrutura mental e, em consequência, ocorre a cura corporal e espiritual. O poder da cura não é nosso, por nossa autossuficiência, mas pelo poder de Deus quando nos unimos a Ele. Os princípios bíblicos não são clichês, são códigos poderosos que podem modificar a estrutura cerebral e trazer a todos, independentemente da crença, a cura e a libertação.

Em Romanos 12,2 temos um poderoso comando:

“Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito”.

Professora Drª Maria do Carmo Lincoln Paes. Pianista, Graduada em História; Pós-graduação em Filosofia; Mestre em Educação e Doutora em Educação. Email: carmolincoln@gmail.com

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