Crônica de Natal
Imagine se não houvesse poder,
Eu me pergunto, se isso é possível,
Nem ganância ou fome,
Só exista a fraternidade entre os homens
Imagine todas as pessoas / Compartilhando o mundo…
Você talvez diga que eu sou um sonhador,
Mas eu não sou o único.
Eu espero que algum dia, você junte-se a nós
E o mundo viverá em união.
IMAGINE John Lennon
Por ocasião de um evento de final de ano escolar, em um desses compromissos que são destinados principalmente a pais e avós, pude vislumbrar nas vozes de um coral de crianças, essas que são a essência do natal, a transcendente emoção da música acima. Não foi apenas por minha netinha compor o Coral, mas foi um instante de encanto e magia que revitalizou nossos sonhos e esperança.
Acho que foi em razão disso o meu sonho a noite com Rui Barbosa. Não sei como, mas ele ficou sabendo que estive em CB e que também fiquei encantado com a nova praça da cidade. Ele é o componente da Velha República, quem dá agora o seu nome à obra mais bonita, moderna e bem iluminada de nossa cidade.
Em meu sonho, ele estava bem descontraído e não lembrava em nada aquela sua foto com aquela “golinha erguida” típica da época, mas sim uma pessoa preocupada com a chegada do Natal nos próximos dias.
Dizia-me ele: _Caro Antonio, (não me chamou pelo apelido, impondo formalidade) estou muito preocupado com as festas do final de ano.
_Será que este ano as pessoas irão saber respeitar a minha nova praça? Tenho muita preocupação com aqueles grupos que todo ano promovem dentro dela as maiores quebradeiras e brigas, não obstante a presença da polícia. Acho que essas pessoas precisam saber que tal como a igreja que integra e embeleza a praça, aquele espaço, principalmente a partir de agora passou a ser também um lugar de contemplação e respeitosa harmonia entre as pessoas.
_Outra coisa que tem me preocupado muito são aqueles automóveis que ficam dando volta na minha praça, enchendo-nos de gás carbônico e, sobretudo, enchendo-nos com os altíssimos decibéis, tanto quanto com o mau gosto das músicas.
_Antonio, eu estou falando com você porque em minha passagem por aí, cansei de apelar para o bom senso das pessoas e veja no que deu. Hoje só sou lembrado nas formaturas de bacharéis com a “Oração aos Moços”. Atualmente, o que mais tem me irritado nesta praça é ver aquela cara de pateta dirigindo um veículo interrompendo as conversas das pessoas, submetidas estas a ouvir os sons mais indesejáveis empurrados ouvido adentro.
Rui Barbosa continuou a discorrer sobre a reforma da praça, citando uma conotação bem atual dos governantes, que “desde os tempos da República nunca ninguém tinha feito” uma praça tão bonita e iluminada como esta em nossa cidade, quando interrompeu para cumprimentar Ramez Tebet, um senador do PMDB, que acabava de passar por ele, lá no céu. Não deixou de comentar, num ricto meio zombeteiro: “é estranho esse partido político. É sempre maioria em todas as eleições e não quer governar, só quer fazer parcerias”.
No momento em que ia falar-lhe que só quando Duda Mendonça ou João Santana, fiéis marqueteiros do PT, estiverem disponíveis e forem contratados, é que será a vez daquele Partido ser governo, acordei.
Não deu nem tempo de discordar desse honorável personagem da nossa história, de que seus valores foram esquecidos.
Nem deu também para falar que está por meses a perda do nome de um companheiro da Velha República, pois, finalmente a rua Floriano Peixoto voltará a ser a Rua Direita em seu sentido de mão correto, histórico e religioso, e, como em todas as cidades do mundo, será a rua que da entrada da cidade, nos levará à porta de nossa Igreja Matriz.
Outra boa nova, fazendo parte desse incorrigível espírito natalino: nesta mesma Igreja, na missa de Natal, estará presente um coral formado com as melhores e mais bonitas vozes da cidade, interpretando um repertório que é um verdadeiro presente.
Nem percebi que já estava acordado quando recomendei a ele não deixar de comparecer: “é só atravessar a rua para uma Noite de Paz”.
Antonio Isidoro de Oliveira (poli)
Poli.oliveira@terra.com.br



